Pior do que a perseguição

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Desde o dia de Pentecostes, quando a promessa de Jesus se cumpriu e o Espírito Santo foi derramado sobre os primeiros cristãos, revestindo-os de poder para, a partir de então, começarem a grande obra de pregar o evangelho a todos os povos, eles foram perseguidos e muitos deles mortos (At 1.8). O Mestre já havia advertido aos seus discípulos quanto ao que lhes haveria de acontecer:

“Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos…” “E acautelai-vos dos homens, porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas.” “Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.” (Mt 10. 16,17 e 22).

Ao longo destes vinte séculos milhares de cristãos foram mortos em todo o mundo. Começando pelos próprios judeus que os consideravam uma seita e ameaçavam o judaísmo; logo em seguida os romanos, principalmente, sob a figura do Imperador Nero que manteve a cidade de Roma acessa por longos períodos através de inúmeros corpos de cristãos em chamas; enquanto muitos outros foram mortos nas arenas devorados pelos leões. Esta perseguição romana se manteve até o quarto século, quando Constantino I se aliou a igreja e estabeleceu o cristianismo como religião oficial no ano de 313 d. C. Os cristãos tiveram uma trégua de 200 anos, pelo menos, na área civilizada dominada por Roma. Entre os anos 500 e 1500 os cristãos enfrentaram dois terríveis inimigos que foram os bárbaros e o islamismo. A partir de 1500, com a reforma protestante, muitos cristãos foram perseguidos e mortos de ambos os lados. Tanto protestantes, em países com predominância católica, como católicos em países com predominância protestante. Foram cerca de 300 anos de muita mortandade no seio da igreja. Esta perseguição se mantem até os dias atuais, principalmente, em países islâmicos.

Na Europa hoje, o cristianismo vive um momento bem diferente dos vividos nos séculos passados. Um continente que já foi palco de grandes avivamentos, liderados por grandes homens de Deus como os irmãos John e Charles Wesley, Charles H. Spurgeon, Dwight Lyman Moody, Smith Wigglesworth, George Whitefield, Evan Roberts e muitos outros e que hoje é considerado um continente pós-cristão; um local onde a frieza espiritual tomou conta ao ponto de muitos templos serem transformados em museus, teatros e até mesmo em boates e a realidade dos que ainda estão funcionando é a de uma comunidade pequena, apática e que pouco influencia. Em contrapartida o que se vê é o avanço do islamismo que já domina alguns países, como a França, por exemplo, e não para de crescer em toda a Europa. Um detalhe que nos chama a atenção é o fato destes mulçumanos estarem ocupando o espaço que outrora pertencia à igreja cristã sem armas ou qualquer tipo de perseguição, pelo menos, durante o início de suas ocupações territoriais.

Com tudo isto, fico me perguntando o que seria pior, uma igreja que sofre martírios por causa do seu fervor pelo evangelho ao ponto de morrerem pela sua fé manifesta a Cristo ou uma que vive com toda a liberdade para pregar, mas, que perdeu o seu entusiasmo, o seu fervor e se apostatou da fé? Quando vejo no Brasil os inúmeros pedidos de oração através das redes sociais pelos cristãos que estão sendo perseguidos e mortos, me pergunto: Quem realmente está precisando de oração? Será mesmo que são eles que deixaram tudo para viverem intensamente o evangelho ao ponto de colocarem as suas vidas em risco porque creem que mesmo na morte serão vencedores por cristo ou nós que estamos vivendo um cristianismo “nutella”, no conforto dos templos com bancos acolchoados e clima de montanha pelos sistemas sofisticados de ar condicionado? Não sei se seria uma coincidência, se é que existe coincidência, mas, quando olhamos na janela da história, o momento em a igreja mais se santificou, buscou a Deus e cresceu, foi quando ela sofreu intensa perseguição. Daí vem a seguinte pergunta: O que seria pior para a igreja, a perseguição ou a tranquilidade e o conforto que pode acabar gerando frieza e levando a apostasia? Aviva a sua obra ó Senhor em nossos corações! Não permita que o futuro da igreja brasileira seja semelhante à realidade vivida pela igreja europeia no presente.

Por Juvenal Oliveira

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