Parabéns, Porta dos Fundos

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Depois do fracasso retumbante de seu filme “Contrato vitalício” (lançado em 2016 e retirado dos cinemas antes do previsto por conta da baixíssima bilheteria), o pessoal do Porta dos Fundos resolveu não correr mais riscos: seu novo longa-metragem estreia desta vez na Netflix e segue a velha cartilha da polêmica com a fé alheia: é só fazer deboche com Jesus Cristo e é certo que haverá ibope. O que mais me chateia nessa história não é os caras serem desrespeitosos, é que os cristãos não aprenderam a lição e, mais uma vez, caíram na armadilha e estão ajudando a fazer uma enorme divulgação do filme. Gregório, Porchat e companhia agradecem.

Porta dos Fundos é um grupo formado por não cristãos que carregam um longo histórico de deboches e desqualificações com a fé cristã. Surpreende-me alguém achar a esta altura do campeonato que seria diferente. Numa democracia e num Estado democramático de direito como os que vigoram no Brasil, a liberdade de expressão lhes dá o direito de fazerem piada com Jesus – e eles se aproveitam disso. Sinceramente, conhecendo seus integrantes como os conheço, não esperaria nada minimamente diferente disso.

Ano passado, os caras lançaram “Se beber, não ceie”, debochando, para variar, de Jesus. Deu menos errado que o longa de 2016, ganharam até um Emmy. Por isso, este ano eles resolveram duplicar a dose e lançaram “A primeira tentação de Cristo”, que, mais uma vez, debocha de nosso Senhor. Previsível. E o que eles mais queriam aconteceu: indignados, muitos cristãos se lançaram a boicotes e coisas assim, aumentando o tititi sobre o filme e despertando uma atenção que sem isso o troço não teria.

Respeito quem boicotou e cancelou a assinatura do Netflix. Entendo a indignação com o nome daquele cujo nome está sobre todo nome. Mas acredito que alimentar a polêmica é o caminho mais superficial, pueril e inconsequente – e parece que não aprendemos com os erros do passado. E explico por quê.

Ao longo dos anos, vi muitas peças audiovisuais bobas faturarem alto em cima da polêmica com Cristo. Por exemplo, lembro quando, anos atrás, Kevin Smith lançou um filme cinematograficamente medíocre, chamado “Dogma”, cheio de deboches com a fé cristã. Seria um daqueles filmes sobre os quais pouco se ouve falar e dos quais dois anos depois ninguém se lembra. Mas, aí, grupos de cristãos americanos, munidos de cartazes e bradando palavras de ordem, foram para a porta dos cinemas protestar. Deu mídia. Reportagens. Ibope. E, graças ao tititi promovido pelos protestos, pessoas que jamais pagariam para ver aquilo ficaram curiosas, muito mais gente foi aos cinemas e o filme faturou alto. Resultado: Jesus continuou sendo quem é, a indústria cinematográfica continuou produzindo filmes blasfemos e Kevin Smith, às gargalhadas, ficou mais rico.

Vemos episódios como esse e não aprendemos nada. Recentemente, a prefeitura do Rio mandou apreender, na Bienal do Rio, um livro desconhecido com um beijo gay, que não venderia nem cinco exemplares. Resultado: foram vendidos milhares de exemplares, inúmeras reportagens foram feitas, formadores de opinião meteram o malho em “os evangélicos”, os gays continuaram sendo gays e, graças à religião do prefeito, todo evangélico do Brasil passou a ser ainda mais visto como homofóbico, censurador, intolerante etc etc etc.

A história mostra que esse tipo de reação não gera nenhum resultado. Pelo contrário, gera bochicho, curiosidade, ibope e dinheiro para os produtores. Alguém realmente acha que Duvivier e sua turma decidiram debochar de Jesus, uma vez mais, a troco de nada? Não seja ingênuo: eles contam com a polêmica. Se os cristãos não chiarem, eles ficarão extremamente tristes. Graças à mídia espontânea que esse fraco boicote está gerando, pode ter certeza que, ano que vem, haverá mais um especial de Natal do Porta dos Fundos debochando de Jesus.

Meu irmão, minha irmã, acredite, eu compartilho de sua indignação. É muito desrespeitoso fazer deboche com a fé de qualquer pessoa e, francamente, a desonra ao Verbo divino é revoltante. Mas, sabe, eu não preciso defender o Senhor. Leia Romabos 12. Sei plenamente que o onisciente está ciente. Ninguém se indigna mais com quem toma seu santo nome em vão do que ele próprio. E isso é gravíssimo, com consequências eternas que não preciso descrever a você. E eu oro por quem vilipendia o nome de Cristo, porque se soubesse o que isso gerará, temeria a gravidade de seus atos. Mas… os integrantes do grupo não sabem o que fazem. Que o Pai os perdoe.

Jesus nos ensinou a manter a espada na bainha. A seguir como ovelha muda para o matadouro. A não devolver mal com mal. A abençoar quem nos amaldiçoa. A orar por quem nos persegue. A pedir que o Pai faça a sua vontade, na terra e no céu. Ou isso tudo não está na Bíblia? Então, meu irmão, minha irmã, deixe o mundo ser mundo, confie que o justo Deus a seu tempo tomará as devidas providências e faça a sua parte para que o fruto do seu trabalho seja mais excelente que o do Porta dos Fundos.

E ao Porta dos Fundos, meus parabéns: vocês conseguiram, uma vez mais, gerar a polêmica que os diverte e enriquece, mesmo às custas do deboche com aquilo que é mais precioso para milhões de brasileiros. Mas isso, acredite, um dia lhes será cobrado. Oro por vocês e pela misericórdia do Senhor na vida de cada um.

Pr. Maurício Zágari

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