O Fariseu, o publicano e o Templo

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“Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano.”  (Lucas 18.10)

É assim que Jesus inicia a Parábola do Fariseu e do Publicano. Eles são os protagonistas. Eles vão ao mesmo dia e no mesmo momento ao templo. Eles ocupavam lugares distintos e antagônicos na sociedade. Mas o templo torna-se um lugar comum a ambos. O templo representa o lugar onde se encontra com Deus. Onde cremos mais nele, oramos com mais fervor. E como o lugar da presença de Deus, nele cabem todas as pessoas, ou pelo menos deveria. A igreja tem essa vocação: ser um lugar de encontro com Deus e de acolhimento irrestrito a pessoas. Um lugar plural, diverso e amplo. Se no reino dos homens o padrão é o estabelecimento de clubes privados, de comunidades de iguais, o padrão é a rejeição dos que não se parecem conosco, no Reino de Deus a história é bem outra. Pois aquele que é Santo, Santo, Santo, amorosa e graciosamente nos recebe, pecadores, pecadores, pecadores! O templo tem a vocação de ser o lugar onde todos possam estar com Deus e esta responsabilidade é da igreja! Ela deve fazer o templo este lugar. A igreja deve fazer do templo um  lugar de reconciliação, acolhimento e graça. 

No tempo de Jesus não era assim. O templo era o lugar onde o fariseu se sentia mais à vontade que o publicano. Ele se sentia completamente apropriado para ali estar. Ele gozava de boa fama aos olhos dos populares frequentadores do templo. O publicano, não. O templo poderia ser um lugar muito pouco amigável para ele. Não por causa de Deus, mas por causa das pessoas que lá estavam. Por ser um cobrador de impostos, muitos de seus concidadãos o rejeitavam, tratavam-no como traidor. A fama de um publicano não era nada boa. Que um fariseu fosse ao templo orar, tudo bem. Mas um publicano? Ele não deveria estar ali, a menos que fosse para deixar de ser quem era e  com isso agradar à consciência dos que, como o fariseu, sentiam-se donos do lugar. O fariseu e o publicano no templo é uma cena bem provocativa para os judeus a quem Jesus conta esta parábola. 

Como é o templo que você frequenta? Você frequenta algum? Como é a igreja de que faz parte? Você faz parte de alguma? Recomendo! Recomendo que pertença a uma igreja e que frequente um templo. Não devemos subestimar o valor deles para nossa espiritualidade e vida com Deus. Com seus desafios e oportunidades, estes dois pertencimentos são pedagógicos para o relacionamento com Deus. Acredito que o templo pode tornar-se um lugar de transformação. Mas só poderá ser se generosamente for um lugar de acolhimento e aceitação. Acredito que a igreja tem o dever de encher o templo com a presença de Deus, e não com a presença dela mesma. Enche-lo com a graça, misericórdia, bondade e tolerância divina, e não com a dureza, o preconceito, a frieza ou os julgamentos comuns à presença humana. Jesus colocou o fariseu e o publicano dentro do templo. Ambos foram orar. Ambos tinham o direito de dirigirem-se à Deus. Da próxima vez que for a um templo, sinta-se livre para estar com Deus. Ele ama você. E torne o templo um lugar que dá boas vindas a todo pecador que esteja necessitado ou apenas curioso sobre Deus. Afinal, o templo tem a vocação de ser um lugar que dá chance a todo ser humano que se aventure na busca do Deus que nos encontra!

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