Adultério e Adúlteros

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“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração.”  (Mateus 5.27-28)

Jesus, em sua releitura da Lei, abandona a superficialidade da religião e dirige-se à profundidade da espiritualidade. Se para a religião basta que certo ato não seja praticado para sermos livres da culpa, na espiritualidade o segredo está no coração, onde ninguém pode ver, mas Deus pode. Para a religiosidade, não adulterar é apenas não praticar a relação sexual sendo casado ou com alguém que seja casado. Para a espiritualidade segundo o Reino de Deus não adulterar significa ter um coração puro e respeitoso para com o cônjuge do próximo e manter-se fiel interiormente ao próprio cônjuge. É um outro padrão, que claramente expõe nossa fragilidade e nossa condição como pecadores. E a questão do adultério é representativa de outras questões. Nossa transgressão acontece dentro de nós e isso basta para que sejamos condenáveis.

Por isso o apóstolo Paulo escreveu: “…tanto judeus quanto gentios estão debaixo do pecado. Como está escrito: Não há nenhum justo, nem um sequer” (Rm 3.9-10). Por isso não há justificativa para a atitude de agirmos como juízes uns dos outros. Podemos pecar em áreas diferentes, mas todos somos injustos e condenáveis diante de Deus. O problema de nossa moral está dentro de nós. Diante desse padrão do Reino, fica claro que só temos uma chance: o amor misericordioso de Deus que nos perdoa em Cristo. Todos somos beneficiários do amor de Deus. Todos entramos no Reino marcados por nossa condição como pecadores. E por isso precisamos depender de Deus, ser fortalecidos por Ele e muito cuidadosos conosco. Precisamos, nas palavras do escritor da Carta Aos Hebreus, livrarmo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corrermos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé (Hb 12.1-2).

É por meio do zelo cuidadoso com nossa fraqueza e pela fé firmada em Cristo que o mal que podemos evitar praticar com nossas ações, também é vencido em nosso coração. E assim, superamos a superficialidade da religião, e desfrutamos a beleza e graça da vida com Deus. E isso torna nossa religiosidade um exercício que beneficia nossa espiritualidade, em lugar de ser um engano para ela. Somos pecadores, mas em Cristo somos libertos do poder do pecado. Somos pecadores, mas podemos viver como verdadeiros filhos e filhas de Deus. Somos pecadores, mas não estamos à mercê de nossa condição porque recebemos o Evangelho que nos anuncia a redenção em Cristo. E nele, podemos superar o mal. Nele somos mais que vencedores. Portanto, anseie um coração mais puro e reto. Na luta por ele, toda a graça e poder necessários já nos foram dados em Cristo Jesus.

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