A presença de um Deus “ausente”

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“Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus.” (Mateus 5.16)

Brilhe a luz de vocês diante dos homens! Para que vejam as suas boas obras e vendo-as, glorifiquem ao Pai de vocês, que não está aqui na terra para poder ser visto, embora esteja presente. Mas as suas boas obras devem levar as pessoas a “verem” Deus. O Deus que não podem ver! Percebe esse aspecto de nossa fé? Somos a presença de Deus, que para muitos está ausente. Ele não pode ser visto! Sua voz não pode ser ouvida e suas mãos não podem ser sentidas por tantos ao nosso redor! Há um ditado que afirma: o que os olhos não veem, o coração não sente. Há muitos corações que não sentem Deus, não creem em Deus, porque não veem Deus. Nossas obras devem revelar Deus a elas, tornando-o visível! As nossas mãos devem fazer a vez das Mãos de Deus. A nossa presença, da presença de Deus. Essa é a nossa vocação, o nosso chamado!

Mas como? Erramos quando nos comportamos como pessoas distantes, indiferentes por nos acharmos diferentes. Um comportamento que demonstra uma compreensão equivocada sobre a afirmação de Jesus de que “não somos desse mundo” (Jo 17.16). Uma compreensão equivocada sobre santidade! Pois Jesus, Aquele que é três vezes santo na linguagem do Apocalipse, tornou-se um de nós e viveu entre nós. Próximo, compreensivo, amigo, bondoso, acolhedor. A santidade que nos torna críticos, distantes, acusadores, intolerantes, preconceituosos não tem nada a ver com Cristo. É produto da religiosidade carnal, hipócrita e desumanizadora. Infelizmente esta tem sido a santidade mais comum nas igrejas. Muito mais presente do que a de Cristo, que é cheia de amor, cheia de vida, leve e transformadora. Nossa vida santa deve ajudar as pessoas a perceberem a presença de Deus e seu amor. E não leva-las a sentirem-se ameaçadas, rejeitadas e incompreendidas por Deus.

Nossa presença deve lembrar a presença de Deus. E, de certa forma, sempre vai lembrar. Mas, que lembranças, que imagem temos transmitido a respeito de Deus com nossas palavras, atitudes e comportamentos? A imagem de Jesus sobre como devemos viver é o brilho de uma luz. Não se tratam de manifestações sobrenaturais, não se trata de ser alguém que sabe explicar os textos aparentemente obscuros das Escrituras ou de ser alguém que faz da igreja, da vida religiosa, o reduto exclusivo de sua existência. Trata-se de ser alguém comprometido com a honra de Deus, envolvido pelo amor de Deus e respondendo a este amor com amor. Amor a Deus e às pessoas. Trata-se de ser alguém sensível, humilde, cheio de compaixão e misericórdia. A começar dentro de casa, com a própria família. Alguém capaz de ouvir, acolher, respeitar e servir. A que distância você e eu estamos disso? Essa distancia ou proximidade é a medida de nossa maturidade e santidade, e determina a qualidade da nossa luz, essa luz que Jesus disse: Faça com que ela brilhe. Portanto, brilhe a sua luz diante dos homens. E sejam vistas as suas boas obras e seja glorificado o Pai dos céus, o seu pai.

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