Dever Mental

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Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. (Fp 4:8)

Eu escolho aquilo em que desejo pensar. Ninguém pode dominar a minha mente. Contudo, pelo excesso de exposição às informações e deformações eletrônicas as pessoas estão se tornando verdadeiros zumbis, possessões de espíritos perturbadores de uma mídia sem limites. Abre-se um site e o mundo acabou. Abre-se outro e o governador briga com o presidente. Em um outro o presidente passeia tranquiliamente enquanto critica a quarentena. Já naquele do outro lado eu vejo caminhões em carreata para deixar corpos no cemitério. Que mundo é esse?

Bem-vindo ao mundo pré-apocalipse. Para surpresa de amilenistas e de cristãos que não criam nas profecias bíblicas estamos assistindo a um mundo parado diante de um inimigo invisível, um autêntico anjo da morte. Um vírus! Um único espécime natural ou criado em laboratório e o mundo parou! Até a previsão do tempo está com dificuldades de monitoramento pela falta de dispositivos aéreos que levavam informações!

E nós confinados em nossos viveiros! Alguns moram em quartos que alugam, sem espaço para nada. Uma cama, um guarda-roupa e um sanitário, nada mais! Outros, com esposa e fillhos, dividem a prole nos dois cômodos apertados no porão de uma residência simples. Outros estão nos asilos, nas cadeias, hospitais, hotéis, enfim, fechados, esperando por algo que não enxergam, ouvindo boatos, assistindo a vídeos que ora atacam e ora defendem este ou aquele procedimento. A impressão que se tem é que cada um de nós está com um joystick, aquele aparelho com o qual se joga um videogame, e tentamos levar os líderes para um lado e para outro, mas eles não vão, pois estão emperrados e a fazer coisas contraditórias e sem nexo. Nos sentimos a perder o jogo com a impressão de que somos nós que jogamos! Esta é a toxidade das mentes poluídas por tanta informação!

Eu mesmo iria fazer “lives”, vídeos com mensagens,hinos e pregações. Mas quando vi tanta gente fazendo a mesma coisa, imbuída de inúmeros desejos, e tanta gente buscando o seu instante de glória, de fama, de likes, de prêmios nos canais; quando percebi que muitos oram para que os outros vejam e não para que Deus escute; quando percebi que muitos oportunistas se aproveitam da histeria coletiva para imprimir a sua marca que será explorada numa próxima eleição (se houver!), então decidi ficar quietinho no meu canto, até porque não estou a pastorear nenhuma igreja neste momento. O máximo que faço é corresponder-me pessoalmente com os meus contatos.

E decidi encher a minha mente com as coisas recomendadas pelo texto bíblico acima. Estou farto de ouvir gente encarcerada a bater panelas cada vez que o noticiário começa. Uns batem contra, outros a favor, e a maioria nem sabe porque bate panelas, apenas fazem barulho para ter algum movimento no marasmo do confinamento urbano. Não, a minha mente não é terminal de informática e eu não sou unidade de nenhum servidor que me comande. Eu fui libertado pelo poder da verdade e só a Cristo eu me submeto, inclusive no uso de minha mente!

Eu quero pensar em tudo o que é verdadeiro. E a Palavra de Deus é! “Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade!” (João 17.17)

Eu quero pensar em tudo o que é honesto. Assim eu penso nas coisas que constróem, que permanecem e que não dependem de opiniões. Eu penso na vida, na saúde, no bem da família, nos meus familiares, amigos e irmãos em Cristo. Eu penso no que é real.

Eu quero pensar naquilo que é justo. É justo querer trabalhar, querer servir, querer ser útil, querer progredir, querer construir, querer viver. Assim, os pensamentos que evoco e com os quais quero ter contato são pensamentos promissores, pensamentos de um porvir melhor, seja quando esse confinamento terminar, seja quando o Senhor regressar ou me levar.

Eu quero pensar em tudo o que é puro. Eu não preciso de pornografia para me entreter. Eu não preciso de futilidades e programas de riso fácil para me tranquilizar. Eu não preciso de bebidas, cigarros ou drogas para me anestesiar. A vida de um cristão tende à pureza de pensamentos, de costumes, de palavras, de ideais, de pensamentos, de sentimentos. E eu peço ao Senhor para manter a minha alma e coração puros diante de tanta podridão pelo caminho!

Eu quero pensar no que é amável, no que expressa amor, no que realmente conforta. Por isso posso telefonar para as pessoas que me são caras, posso buscá-las à distância para saber como estão, posso ser amável com quem está confinado comigo, posso servir e buscar a felicidade de outrem, não a minha própria apenas. Eu posso ser uma bênção junto de quem está comigo.

Eu quero pensar no que é de boa fama, não nas coisas que são falsas, imorais, indecentes, malignas. A boa fama é saúde para os ossos, é alegria para o coração. Essa boa fama é buscar um pensar de qualidade, de coisas construtivas, de conhecimento, de cultura, de crescimento. Dou graças a Deus pela farta biblioteca de livros antigos que possuo. São um tesouro para mim. Dou graças a Deus pelos hinos cristãos clássicos que rodo para todos em minha rádio e que ouço diuturnamente em meu celular. São coisas que enriquecem.

Eu quero pensar na virtude, na força de vontade, no desejo de vencer, na alegria de planejar para dias melhores. A vitória existe quando é antecedida pela idéia de vitória dentro do coração. Quem entra na quadra temendo a derrota já perdeu. Quem sai a vender pensando no fiasco das vendas já faliu. Quem pensa na crise e não na oportunidade que virá já perdeu. Portanto, quero ter pensamentos de virtude. Quero pensar na honradez, na decência, na ordem, no progresso, no respeito aos mais velhos, no cuidado para com o próximo e na bênção de poder ser útil para alguém.

Eu quero pensar nas coisas pelas quais possa tirar o chapéu, possa aplaudir, possa usar como exemplo. Evoco as lembranças do meu velho pai, homem honrado e trabalhador. Penso em mamãe, a maior e melhor crente que jamais conheci. Penso no Pr. Timofei Diacov, que me evangelizou, no Pr. Josué Nunes de Lima, que me aconselhou, no irmão Sebastião Emerich, que me mostrou o que é ser mestre segundo Deus. Quero pensar nas coisas que merecem ser lembradas como exemplo a ser seguido. Eu quero ser um exemplo assim, vivendo de forma ilustre e comprometida.

Eu quero pensar nestas coisas. E conclamo aos meus leitores que o façam também. Os primeiros beneficiados seremos nós mesmos. E depois os que conosco convivem.

Que Deus nos abençoe.

Pr. Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba – São Paulo
Colaborador deste Portal

Convenção Batista Fluminense
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